REVIEW: Digamma - EP (2007)


“Digamma EP”

Digamma é uma banda portuguesa que faz algo que muitas bandas têm medo de fazer: inventar, fazer algo nunca antes ouvido e deveras original. Afinal de contas, quantas bandas já ouviram que misturam música brasileira ou reggae com metal pujante e agressivo? Pois, que eu saiba, praticamente nenhuma. A não ser Digamma. Ora eu conheci Digamma à uns aninhos atrás no tempo do mIRC indo ter (já não me lembro como) ao canal deles na PTnet. Lá um dos users foi simpático e arranjou-me 3 músicas deles: “Just Try It”, “Truth and Lies” e “Place Me Nowhere” (nenhuma destas se encontra neste EP ao qual vou fazer review). A partir desse momento, tornei-me um fã desta banda de garagem, situada no sul na Quarteira. Estou até hoje à espera que venham ao norte para os ver ao vivo! Espero o tempo que for preciso. Passado uns tempos sem dizer nada, deparo-me com uma nova música deles online, “Coño (Seasons)”, e a notícia de que iam lançar o 1º EP oficial da banda. Fiquei deveras contente com esta notícia, mas, devido a “todas as burocracias” por que tiveram de passar (como dizem no blog do MySpace da banda), o EP demorou um bocadito. Mais tarde meteram a música “Mirovia” no MySpace, e ainda mais tarde a “Two Questions”. Passados mais uns mesinhos, finalmente, é lançado o EP. Como apoiante de música portuguesa inovadora, e sendo Digamma uma das minhas bandas favoritas desde à uns anos atrás, comprei-o no dia sem perder tempo (podem comprá-lo no MySpace da banda por 5€). A caixa do CD impressionou-me, pois não estava à espera de algo tão profissional tendo sido o EP lançado pela própria banda e não por uma editora. O CD vem num digipak todo bonito que até dá gosto olhar para aquilo, só é pena não ter booklet com as letras (mas também já é pedir demais para algo lançado independentemente) - Por falar nisso, Digamma, se vierem ler aqui a review, ainda estou à espera que ponham as letras online, há partes que não consigo compreender muito bem e gostava de apanhar os significados de todas as músicas. Então o que há de mais em especial sobre Digamma, para além das fusões de estilos? Os vocais são estrondosos e apaixonantes nas suas partes mais melódicas, o André (vocais) tem uma voz incrível e consegue transmitir emoções esteja como estiver a cantar! - seja em inglês (maioria), português ou até espanhol (sim, as letras têm versos em português e em espanhol). Os instrumentais são, por vezes, bastante técnicos (adoro música técnica, como muitos de vocês já se devem ter apercebido), agressivos e em alguns momentos mesmo muito emocionais. O baterista especialmente impressionou-me pois tem um controlo excelente na bateria, e, pelo menos cá em portugal, há muito pouca gente que o ultrapassa o Mauricio na arte de tocar bateria. As guitarras de Miguel também impressionam muito, o meu riff favorito é provavelmente o riff do verso da “Two Questions” com todos aqueles harmónicos, não estava à espera. Marco no baixo, faz o seu trabalho na perfeição a acompanhar o resto da música, e mesmo quando não está a fazer o mesmo que a guitarra, brilha e encaixa tudo na perfeição. Sem o Tiago no teclado / samples isto não era Digamma. A sério Tiago, aquele sample da mulherzinha a dizer 9 1 1 na “Visionary’s World”, não sei porquê gosto imenso daquilo. E das tropas a marchar na “Mirovia”. Isto para não falar nos acompanhamentos com o teclado, e o épico final da “Mirovia”.

Vamos então falar um bocadinho de cada música deste EP:

“Mirovia”
Esta música tem um feeling impressionante. Desde o início em acústico com efeito até à estrondosa introdução. Depois vem o verso que, nesta música é em funk / reggae (mostrei isto ao meu primo, que é fanático por reggae e ele pensava mesmo que a banda tocava isso, quando ouviu o resto passou-se). Depois do verso uma metalada pujante acompanhada pelas teclas que dão outro ambiente à música. Mas os Digamma não mudam o estilo à toa, está tudo ligado, não há quebras - não há nada que alguém se possa virar e dizer “ei, isto não tem nada a ver com o resto da música”, a verdade é que tem! Misturam tudo como se fosse normal. Depois o refrão, que, como em todas as músicas de Digamma, surpreende, excelente melodia e feeling. Gosto especialmente do 2º refrão após o 2º verso que é tocado em acústico, dá outro sentido à coisa. A bridge faz-me lembrar a guerra… com sons de tropas no fundo e logo após o caos total! O final é lindo e faz lembrar o final de um filme de guerra, após a violência toda, quando os créditos passam tocam os violinos. Perfeito. | 10/10

“Visionary’s World”
Confesso que quando ouvi esta música fiquei parvo, pois começa como se fosse uma música brasileira (até cantada em brasileiro - o André sempre a surpreender). Eu pessoalmente odeio música brasileira. Mas se ouvirem bem, tem ali um feeling diferente do instrumental que faz com que eu consiga gostar (e muito), especialmente pensando no contraste que a música faz, explodindo de repente na agressividade do metal antes do épico refrão melódico que grita “DIGAMMA” por todos os lados. Grande melodia e grande feeling. O segundo verso, tem o instrumental igual ao primeiro mas desta vez é cantado em inglês e com um verso em espanhol que dá logo uma outra dimensão à música - especialmente quando André canta o verso em espanhol parece que estou a ouvir uma daquelas músicas espanholas antigas. Depois vem a bridge que já parece algo tirado do brasil outra vez (estas misturas impressionam-me - pela positiva - poucas bandas têm coragem e capacidades para fazer algo assim!). Mais uma grande música. | 10/10

“Two Questions”
Esta música tem um feeling mais thrash (no instrumental do verso pelo menos). AMO o riff do verso desta música, os harmónicos a primeira vez que ouvi são imprevisíveis e dão uma dinâmica excelente. O refrão desta música, numa palavra - LINDO. Calminho (ao contrário do resto da música), “because I’m mad about yooooooooou”. A primeira vez que o ouvi arrepiei-me todo. Esta é também a única música do EP que tem um solo! Eu não sou grande, grande apologista de solos, gosto deles, mas não gosto quando uma banda exagera e faz solos de 2 a 3 minutos (gosto muito de Metallica, mas o facto deles fazerem solos gigantescos às vezes impede que eu queira ouvir músicas deles) mas este solo não, é pequeno, brutal e tem muito sentimento. | 10/10

“Sexta Saudade”
Esta é a música mais portuguesa do EP… e é também a minha favorita - só tem uma coisa que me decepcionou, mas já vamos a essa parte mais tarde. A música começa com um piano lindo e depois rebenta com guitarra eléctrica bateria, baixo e o teclado a acompanhar com o som de coro. O ambiente nesta música é brutal e tem um sentimento muito forte e já tem um significado especial para mim. O verso é completamente cantado em português - mas não é o português cliché a que estamos habituados a ouvir por bandas pop/rock ou pop portuguesas (que já são demasiadas, já chega *risos*) é sombrio e português ao mesmo tempo. O refrão, também cantado em português, tem tanto poder que nem vos consigo descrever por palavras, só ouvindo - especialmente a mudança do refrão para a parte metal da música - que contraste mais perfeito! Faz-me sempre pensar que durante o refrão há um sentimento de desespero / tristeza e na parte pesada há um sentimento de ódio. Amo estes contrastes. A única coisa na música que eu mudaria é o final, que basicamente está espectacular (parece uma metrelhadora a disparar consecutivamente) mas faz Fade-out… o que corta bastante (pelo menos eu acho) à pujança, parece que há ali um corte de energia repentino. Mas fora isto, a música é perfeita e não é por isso que deixa de levar um… | 10/10

“Coño (Seasons)”
Esta versão é diferente da versão que tinham metido na MySpace (não estava à espera quando ouvi) e ao primeiro fiquei um bocado desapontado, pois a música parecia-me ter menos energia. Mas quando rebentou perdi logo esse raciocínio - a música está mais rápida, mais crua, mais violenta e mais cruel! Também adoro a adição dos teclados no início (parecem saxofones, faz-me lembrar aquelas músicas do cabaret lol, mas sem pisar o ridículo). Esta é provavelmente a música mais agressiva do EP. Sempre a abrir, quase não há um momento para o ouvinte respirar sem contar com uma ou duas paragens a meio. O refrão, como já se deviam ter habituado, é Digamma. Cheio de emoção e energia. A bridge (cantada em português) é especialmente sombria - e é a minha parte favorita da música. Rebentando de seguida numa parte épica com teclado e back vocals feitas pelo André. Excelente. A parte que se segue, mais calminha faz-me lembrar aquelas espanholadas (também é cantado em espanhol) especialmente devido à guitarra. O final da música volta cheio de energia - só há aqui um ponto negativo comparando à versão antiga da música - quando André diz algo do género “oh god, you’re such an hypocrit” gostava mais na versão antiga, em que isto era berrado, e nesta versão é falado. Bah, pormenores. O final da música é possivelmente a parte com mais energia em todo o EP. Rápida e cruel. | 10/10

“Nation of God”
A minha segunda música favorita do EP. Adoro cenas egípcias (é por isso que adoro Nile, por exemplo) e os Digamma captam o feeling egípcio na perfeição e adicionam a sua metalada numa injecção directamente no crânio da música. O início de mais ou menos um minuto e meio é completamente egípcio e depois entram as vocals, e aqui estão as minhas vocals favoritas do André, com aquela melodia mesmo egípcio - é perfeita! Depois tem uma parte assombrosa com várias melodias também feitas pelo André e depois rebenta em metalada que NÃO perde o feeling egípcio - e isto impressionou-me. Adoro especialmente os instrumentos egípcios a tocar no fundo. O final desta música tem o meu 2º riff favorito de todo o álbum (aquele em que há uma paragem de repente na música e só se ouve o vento a soprar, e depois volta o riff - LINDO). Depois a música volta a ser um instrumental completamente egípcio. O feeling desta música é do outro mundo. Excelente final. Deduzo também que esta seja a música principal do EP, porque as ilustrações do digipak têm imagens egípcias. | 10/10

PONTUAÇÃO FINAL: 10/10
O EP é perfeito! Não consigo ouvir uma só música - se ponho o CD no carro já sei que o vou ouvir do início ao fim pelo menos umas 5 vezes (também depende do tamanho da viagem). É perfeito, diferente, não cansa nem satura, é perfeito. Só que sabe a pouco - 6 músicas. Queremos mais Digamma!

E venham aqui ao porto, o norte quer-vos ver! (eu pelo menos quero)
E quando puserem as letras das músicas no MySpace, digam coisas.

E aqui fica a prova que a minha nova banda Flauros, ouve digamma no carro quando estamos a voltar para casa:

Se gostam de coisas diferentes e inovadoras, não deixem de ouvir Digamma.

MySpace: http://www.myspace.com/digamma

Uma Resposta para “REVIEW: Digamma - EP (2007)”

  1. andré Diz:

    Daqui fala o vocalista de Digamma, dizes que te arrepias quando ouves Digamma, eu fiquei arrepiado com as tuas palavras, sinceramente não me lembro de alguém tenha sido tão efusivo e apaixonada ao falar da nossa musica, e quanto ela significa para ti, ao fim ao cabo é por isso que fazemos a nossa musica ter prazer ao faze-la, e que outras pessoas tenham prazer em ouvi-la também, obrigado pelas tuas palavras, e espero que nos venhamos a encontrar em breve para te agradecer pessoalmente por toda essa energia, que é a energia que nos faz querer continuar.
    Um Abraço!
    André-Digamma

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