
“Digamma EP”
Digamma é uma banda portuguesa que faz algo que muitas bandas têm medo de fazer: inventar, fazer algo nunca antes ouvido e deveras original. Afinal de contas, quantas bandas já ouviram que misturam música brasileira ou reggae com metal pujante e agressivo? Pois, que eu saiba, praticamente nenhuma. A não ser Digamma. Ora eu conheci Digamma à uns aninhos atrás no tempo do mIRC indo ter (já não me lembro como) ao canal deles na PTnet. Lá um dos users foi simpático e arranjou-me 3 músicas deles: “Just Try It”, “Truth and Lies” e “Place Me Nowhere” (nenhuma destas se encontra neste EP ao qual vou fazer review). A partir desse momento, tornei-me um fã desta banda de garagem, situada no sul na Quarteira. Estou até hoje à espera que venham ao norte para os ver ao vivo! Espero o tempo que for preciso. Passado uns tempos sem dizer nada, deparo-me com uma nova música deles online, “Coño (Seasons)”, e a notícia de que iam lançar o 1º EP oficial da banda. Fiquei deveras contente com esta notícia, mas, devido a “todas as burocracias” por que tiveram de passar (como dizem no blog do MySpace da banda), o EP demorou um bocadito. Mais tarde meteram a música “Mirovia” no MySpace, e ainda mais tarde a “Two Questions”. Passados mais uns mesinhos, finalmente, é lançado o EP. Como apoiante de música portuguesa inovadora, e sendo Digamma uma das minhas bandas favoritas desde à uns anos atrás, comprei-o no dia sem perder tempo (podem comprá-lo no MySpace da banda por 5€). A caixa do CD impressionou-me, pois não estava à espera de algo tão profissional tendo sido o EP lançado pela própria banda e não por uma editora. O CD vem num digipak todo bonito que até dá gosto olhar para aquilo, só é pena não ter booklet com as letras (mas também já é pedir demais para algo lançado independentemente) – Por falar nisso, Digamma, se vierem ler aqui a review, ainda estou à espera que ponham as letras online, há partes que não consigo compreender muito bem e gostava de apanhar os significados de todas as músicas. Então o que há de mais em especial sobre Digamma, para além das fusões de estilos? Os vocais são estrondosos e apaixonantes nas suas partes mais melódicas, o André (vocais) tem uma voz incrível e consegue transmitir emoções esteja como estiver a cantar! – seja em inglês (maioria), português ou até espanhol (sim, as letras têm versos em português e em espanhol). Os instrumentais são, por vezes, bastante técnicos (adoro música técnica, como muitos de vocês já se devem ter apercebido), agressivos e em alguns momentos mesmo muito emocionais. O baterista especialmente impressionou-me pois tem um controlo excelente na bateria, e, pelo menos cá em portugal, há muito pouca gente que o ultrapassa o Mauricio na arte de tocar bateria. As guitarras de Miguel também impressionam muito, o meu riff favorito é provavelmente o riff do verso da “Two Questions” com todos aqueles harmónicos, não estava à espera. Marco no baixo, faz o seu trabalho na perfeição a acompanhar o resto da música, e mesmo quando não está a fazer o mesmo que a guitarra, brilha e encaixa tudo na perfeição. Sem o Tiago no teclado / samples isto não era Digamma. A sério Tiago, aquele sample da mulherzinha a dizer 9 1 1 na “Visionary’s World”, não sei porquê gosto imenso daquilo. E das tropas a marchar na “Mirovia”. Isto para não falar nos acompanhamentos com o teclado, e o épico final da “Mirovia”.
Vamos então falar um bocadinho de cada música deste EP:
“Mirovia”
Esta música tem um feeling impressionante. Desde o início em acústico com efeito até à estrondosa introdução. Depois vem o verso que, nesta música é em funk / reggae (mostrei isto ao meu primo, que é fanático por reggae e ele pensava mesmo que a banda tocava isso, quando ouviu o resto passou-se). Depois do verso uma metalada pujante acompanhada pelas teclas que dão outro ambiente à música. Mas os Digamma não mudam o estilo à toa, está tudo ligado, não há quebras – não há nada que alguém se possa virar e dizer “ei, isto não tem nada a ver com o resto da música”, a verdade é que tem! Misturam tudo como se fosse normal. Depois o refrão, que, como em todas as músicas de Digamma, surpreende, excelente melodia e feeling. Gosto especialmente do 2º refrão após o 2º verso que é tocado em acústico, dá outro sentido à coisa. A bridge faz-me lembrar a guerra… com sons de tropas no fundo e logo após o caos total! O final é lindo e faz lembrar o final de um filme de guerra, após a violência toda, quando os créditos passam tocam os violinos. Perfeito. | 10/10
“Visionary’s World”
Confesso que quando ouvi esta música fiquei parvo, pois começa como se fosse uma música brasileira (até cantada em brasileiro – o André sempre a surpreender). Eu pessoalmente odeio música brasileira. Mas se ouvirem bem, tem ali um feeling diferente do instrumental que faz com que eu consiga gostar (e muito), especialmente pensando no contraste que a música faz, explodindo de repente na agressividade do metal antes do épico refrão melódico que grita “DIGAMMA” por todos os lados. Grande melodia e grande feeling. O segundo verso, tem o instrumental igual ao primeiro mas desta vez é cantado em inglês e com um verso em espanhol que dá logo uma outra dimensão à música – especialmente quando André canta o verso em espanhol parece que estou a ouvir uma daquelas músicas espanholas antigas. Depois vem a bridge que já parece algo tirado do brasil outra vez (estas misturas impressionam-me – pela positiva – poucas bandas têm coragem e capacidades para fazer algo assim!). Mais uma grande música. | 10/10
“Two Questions”
Esta música tem um feeling mais thrash (no instrumental do verso pelo menos). AMO o riff do verso desta música, os harmónicos a primeira vez que ouvi são imprevisíveis e dão uma dinâmica excelente. O refrão desta música, numa palavra – LINDO. Calminho (ao contrário do resto da música), “because I’m mad about yooooooooou”. A primeira vez que o ouvi arrepiei-me todo. Esta é também a única música do EP que tem um solo! Eu não sou grande, grande apologista de solos, gosto deles, mas não gosto quando uma banda exagera e faz solos de 2 a 3 minutos (gosto muito de Metallica, mas o facto deles fazerem solos gigantescos às vezes impede que eu queira ouvir músicas deles) mas este solo não, é pequeno, brutal e tem muito sentimento. | 10/10
“Sexta Saudade”
Esta é a música mais portuguesa do EP… e é também a minha favorita – só tem uma coisa que me decepcionou, mas já vamos a essa parte mais tarde. A música começa com um piano lindo e depois rebenta com guitarra eléctrica bateria, baixo e o teclado a acompanhar com o som de coro. O ambiente nesta música é brutal e tem um sentimento muito forte e já tem um significado especial para mim. O verso é completamente cantado em português – mas não é o português cliché a que estamos habituados a ouvir por bandas pop/rock ou pop portuguesas (que já são demasiadas, já chega *risos*) é sombrio e português ao mesmo tempo. O refrão, também cantado em português, tem tanto poder que nem vos consigo descrever por palavras, só ouvindo – especialmente a mudança do refrão para a parte metal da música – que contraste mais perfeito! Faz-me sempre pensar que durante o refrão há um sentimento de desespero / tristeza e na parte pesada há um sentimento de ódio. Amo estes contrastes. A única coisa na música que eu mudaria é o final, que basicamente está espectacular (parece uma metrelhadora a disparar consecutivamente) mas faz Fade-out… o que corta bastante (pelo menos eu acho) à pujança, parece que há ali um corte de energia repentino. Mas fora isto, a música é perfeita e não é por isso que deixa de levar um… | 10/10
“Coño (Seasons)”
Esta versão é diferente da versão que tinham metido na MySpace (não estava à espera quando ouvi) e ao primeiro fiquei um bocado desapontado, pois a música parecia-me ter menos energia. Mas quando rebentou perdi logo esse raciocínio – a música está mais rápida, mais crua, mais violenta e mais cruel! Também adoro a adição dos teclados no início (parecem saxofones, faz-me lembrar aquelas músicas do cabaret lol, mas sem pisar o ridículo). Esta é provavelmente a música mais agressiva do EP. Sempre a abrir, quase não há um momento para o ouvinte respirar sem contar com uma ou duas paragens a meio. O refrão, como já se deviam ter habituado, é Digamma. Cheio de emoção e energia. A bridge (cantada em português) é especialmente sombria – e é a minha parte favorita da música. Rebentando de seguida numa parte épica com teclado e back vocals feitas pelo André. Excelente. A parte que se segue, mais calminha faz-me lembrar aquelas espanholadas (também é cantado em espanhol) especialmente devido à guitarra. O final da música volta cheio de energia – só há aqui um ponto negativo comparando à versão antiga da música – quando André diz algo do género “oh god, you’re such an hypocrit” gostava mais na versão antiga, em que isto era berrado, e nesta versão é falado. Bah, pormenores. O final da música é possivelmente a parte com mais energia em todo o EP. Rápida e cruel. | 10/10
“Nation of God”
A minha segunda música favorita do EP. Adoro cenas egípcias (é por isso que adoro Nile, por exemplo) e os Digamma captam o feeling egípcio na perfeição e adicionam a sua metalada numa injecção directamente no crânio da música. O início de mais ou menos um minuto e meio é completamente egípcio e depois entram as vocals, e aqui estão as minhas vocals favoritas do André, com aquela melodia mesmo egípcio – é perfeita! Depois tem uma parte assombrosa com várias melodias também feitas pelo André e depois rebenta em metalada que NÃO perde o feeling egípcio – e isto impressionou-me. Adoro especialmente os instrumentos egípcios a tocar no fundo. O final desta música tem o meu 2º riff favorito de todo o álbum (aquele em que há uma paragem de repente na música e só se ouve o vento a soprar, e depois volta o riff – LINDO). Depois a música volta a ser um instrumental completamente egípcio. O feeling desta música é do outro mundo. Excelente final. Deduzo também que esta seja a música principal do EP, porque as ilustrações do digipak têm imagens egípcias. | 10/10
PONTUAÇÃO FINAL: 10/10
O EP é perfeito! Não consigo ouvir uma só música – se ponho o CD no carro já sei que o vou ouvir do início ao fim pelo menos umas 5 vezes (também depende do tamanho da viagem). É perfeito, diferente, não cansa nem satura, é perfeito. Só que sabe a pouco – 6 músicas. Queremos mais Digamma!
E venham aqui ao porto, o norte quer-vos ver! (eu pelo menos quero)
E quando puserem as letras das músicas no MySpace, digam coisas.
E aqui fica a prova que a minha nova banda Flauros, ouve digamma no carro quando estamos a voltar para casa:
Se gostam de coisas diferentes e inovadoras, não deixem de ouvir Digamma.
MySpace: http://www.myspace.com/digamma
Abril 15, 2008 às 3:45 pm
Daqui fala o vocalista de Digamma, dizes que te arrepias quando ouves Digamma, eu fiquei arrepiado com as tuas palavras, sinceramente não me lembro de alguém tenha sido tão efusivo e apaixonada ao falar da nossa musica, e quanto ela significa para ti, ao fim ao cabo é por isso que fazemos a nossa musica ter prazer ao faze-la, e que outras pessoas tenham prazer em ouvi-la também, obrigado pelas tuas palavras, e espero que nos venhamos a encontrar em breve para te agradecer pessoalmente por toda essa energia, que é a energia que nos faz querer continuar.
Um Abraço!
André-Digamma
Outubro 8, 2008 às 4:55 pm
Olá..
Tive também o prazer de encomendar o cd dos Digamma, e sinceramente nunca pensei que bandas portuguesas conseguissem fazer música desta qualidade (não querendo menosprezar as bandas portuguesas).
Achei o teu texto muito bom e concordo com tudo, e devo dizer que também roda muito no carro eheh
.. e já se encontra nova música deles no myspace, “Babylon Love”, onde predomina bastante o Reggae.. mais uma música espectacular, o refrão está tipo brutal..
Abraço
Pedro
Março 25, 2009 às 10:15 pm
Adorei todos os comentários acerca das musicas dos Digamma. Eu própria quando oiço as suas músicas, penso que são o Máximo e mesmo complexas porque envolvem vários estilos…Metal, reggae. Ah boss mesmo. Eu desconhcia esta banda, mas quando um amigo meu Robert King, foi convidado para tocar piano nela e eu ouvi umas musicas… fiqueiii WOOOWW :O impossivel! Continuem… vão longe
Maio 4, 2009 às 6:21 pm
Boas… excelente critica embora muito apaixonada
Posse dizer que considero um dos melhores trabalhos de sempre da música portuguesa e a “Two Questions” é sem dúvida nenhuma uma das melhores canções de sempre aqui do nosso burgo. Tenho o E.P. já quase desde que saiu, aquirido directamente ao André… Ouvi-o um sem número de vezes e adoro-o!!! Estou à espera do album… Nunca tive hipótese de os ver ao vivo mas fico à espera!!!
Junho 24, 2009 às 2:53 am
Eu já algum tempo que ouvia uma amiga falar da música dos digamma mas nunca estive muito interessada,porque a minha amiga é muito apreciadora de sons pesados..
um dia por curiosidade fui pesquisar e fiquei boquiaberta com a variedade de sonoridades numa só canção!
eu ouço MUITA musica portuguesa,adoro musica portuguesa mas este projecto penso que seja das melhores coisas que se fizeram nos ultimos tempos.
no fim de semana que passou fui ao meu primeiro concerto deles e AMEI!
espero que mandem cá para fora um albúm em breve **